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CVC apresenta resultados e sinaliza redução no ritmo de abertura de novas lojas; ações recuam 8% após forte alta na terça-feira.

A empresa de turismo planeja desacelerar o ritmo de expansão de suas lojas no Brasil e na Argentina no próximo ano, após ter inaugurado aproximadamente 200 unidades.

Depois de uma alta de aproximadamente 11% nas ações na véspera, impulsionada pela queda dos juros futuros, os papéis da CVC (CVCB3) registraram forte recuo na sessão desta quarta-feira (12), acompanhando a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25).

Durante teleconferência, o CEO da companhia, Fabio Godinho, informou que a empresa deve desacelerar o ritmo de abertura de lojas no Brasil e na Argentina no próximo ano, após ter inaugurado cerca de 200 unidades, conforme projeção para 2025.

Às 14h55 (horário de Brasília), as ações recuavam 8,33%, sendo cotadas a R$ 1,87.

Em relação aos resultados do terceiro trimestre, a CVC registrou lucro líquido ajustado de R$ 62,5 milhões, representando um avanço de 35,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 130,5 milhões, alta de 4,7% na base anual, com margem de 34,6% — o maior nível desde 2019, ano anterior à pandemia.

De acordo com o Itaú BBA, o lucro veio abaixo das expectativas, refletindo o desempenho mais fraco do segmento B2C (Business to Consumer). Em contrapartida, o fluxo de caixa livre foi considerado um ponto positivo, impulsionado pelas contas a receber. As reservas contratadas cresceram 13,8% em relação ao ano anterior, enquanto a receita líquida subiu 3,6% no mesmo comparativo, totalizando R$ 377 milhões — 3,5% abaixo das projeções do banco. O desempenho mais fraco do segmento B2C no Brasil contribuiu para o resultado aquém do esperado.

O Ebitda ajustado da empresa, desconsiderando os efeitos do IFRS 16, somou R$ 115 milhões, 6,5% abaixo da estimativa do BBA, com margem de 30,5% — queda de 2,8 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior e de 1 p.p. frente às projeções — pressionado pelo aumento nas despesas de marketing no Brasil.

Sob uma perspectiva mais otimista, os resultados da CVC ficaram próximos das expectativas do mercado, evidenciando um sólido controle de custos. A receita, no entanto, ficou 3% abaixo do consenso dos analistas. As reservas registraram alta de 15,4% em comparação anual, enquanto a taxa de comissão recuou para 8,6%, uma queda de 80 pontos-base.

O Santander mantém recomendação neutra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 2,50, enquanto o Itaú BBA possui recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 3,00.

Redução do ritmo

Durante a teleconferência de resultados, a CVC informou que deve diminuir o ritmo de abertura de lojas no Brasil e na Argentina em 2026.
“Mantemos o guidance de aproximadamente 200 inaugurações no Brasil e na Argentina em 2025… mas, naturalmente, o número deve ser um pouco menor no próximo ano”, afirmou o CEO Fabio Godinho.

O executivo destacou ainda o forte interesse de franqueados em cidades do interior, onde há menos risco de sobreposição entre unidades. Segundo ele, a CVC já mapeou cerca de 2 mil localidades com potencial para novas lojas em municípios com até 15 mil habitantes.

O executivo destacou que a CVC mantém uma visão bastante otimista para o mercado de viagens internacionais no quarto trimestre e avaliou que, em 2026, as companhias aéreas Gol e Latam deverão registrar um crescimento significativamente mais acelerado do que a Azul, que segue em processo de recuperação judicial.

Segundo Fabio Godinho, a CVC mantém relações comerciais mais próximas com Gol (GOLL54) e Latam, ao contrário da Azul, que conta com sua própria operadora de turismo, a Azul Viagens, o que naturalmente reduz a integração entre as companhias.

No segmento marítimo, o executivo revelou que três empresas de cruzeiros demonstraram interesse em operar no Brasil, o que deve resultar em aumento da oferta em 2026, revertendo a redução observada neste ano. Godinho acrescentou ainda que a CVC é responsável por cerca de um terço das vendas de cruzeiros no país, reforçando sua posição de liderança nesse mercado.

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