A empresa alimentícia anunciou que sua unidade de snacks, a Frito-Lay, pretende lançar versões de Cheetos e Doritos livres de corantes e aromatizantes artificiais, em resposta à redução na demanda.

Cheetos com mais proteína? Doritos enriquecidos com fibras?
A PepsiCo pretende lançar versões mais saudáveis — ou com formulações mais “limpas” — de algumas de suas marcas mais conhecidas de snacks e bebidas. A ideia é incorporar ingredientes como proteína e fibras, cada vez mais valorizados pelos consumidores, conforme explicaram executivos da companhia durante uma teleconferência de resultados com analistas e investidores, realizada na última quinta-feira (17).
“A proteína é, sem dúvida, um dos segmentos que mais cresce dentro da categoria de alimentos e bebidas”, afirmou Ramon Laguarta, CEO da PepsiCo. “Os consumidores estão incluindo mais opções proteicas em suas dietas de forma acelerada, algo que não víamos até pouco tempo atrás. Nosso objetivo é entregar grandes soluções com nossas principais marcas, e não apenas pequenas iniciativas.”
A companhia não especificou quais produtos ou bebidas receberão adição de proteína ou fibras, mas sinalizou que essas mudanças devem surgir inicialmente em itens das linhas de bebidas e snacks da Quaker. A empresa também informou que está promovendo o relançamento de duas de suas marcas mais populares, Lay’s e Tostitos, que passarão a ser produzidas sem corantes ou aromas artificiais até o fim deste ano.
Além disso, a PepsiCo planeja lançar versões de Cheetos e Doritos livres de aditivos artificiais em um futuro próximo. A empresa ainda destacou o desempenho positivo de suas colas e outras bebidas sem adição de açúcar em diferentes mercados ao redor do mundo.
Esse movimento em direção a snacks e bebidas mais saudáveis ou com apelo funcional surge em um contexto em que os consumidores demonstram crescente interesse por esses produtos — e também em meio à pressão do governo Trump para que as empresas eliminem corantes artificiais e adotem ingredientes mais naturais.
Na noite de quarta-feira (16), o presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que a Coca-Cola teria concordado em utilizar açúcar de cana de verdade nas bebidas comercializadas nos Estados Unidos. Atualmente, a empresa adoça a maior parte de seus produtos no país com xarope de milho com alto teor de frutose, e até o momento não confirmou oficialmente se adotará a mudança.
Enquanto isso, a PepsiCo, assim como outras companhias de bens de consumo, continua observando uma queda na demanda por seus produtos tradicionais.
A receita da PepsiCo teve um aumento de 1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 22,7 bilhões no trimestre encerrado em 14 de junho, conforme divulgado pela empresa. Já o lucro líquido recuou 59%, totalizando US$ 1,26 bilhão, principalmente devido a ajustes contábeis negativos em ativos, incluindo a desvalorização da marca Rockstar Energy Drink, adquirida em 2020.
Em nível global, a demanda por snacks e bebidas da empresa registrou uma queda de 2%.
Apesar disso, as ações da PepsiCo apresentaram alta de 6,8% no pregão do meio-dia, sendo negociadas a US$ 144,55.
Como resposta à retração nos volumes, a companhia informou que demitiu parte de sua força de trabalho e encerrou as operações de duas fábricas.
Para aumentar a lucratividade, a empresa destacou que está buscando novas formas de cortar despesas, incluindo redução de gastos com viagens e revisão de contratos com prestadores de serviço.
“Estamos revendo tudo”, afirmou Jamie Caulfield, diretor financeiro da empresa, durante conversa com analistas.
Executivos da PepsiCo afirmaram que esperam atrair mais consumidores ao destacar linhas de produtos com fórmulas mais simples ou “limpas”, além de incorporar atributos funcionais como hidratação, proteína e fibras.
Segundo o CEO Ramon Laguarta, a linha Simply de salgadinhos tem recebido feedback positivo dos consumidores. Ele ressaltou que um pacote de batatas Simply Lay’s leva apenas três ingredientes: batata, óleo e sal.
No entanto, alguns analistas demonstraram ceticismo quanto ao real interesse dos consumidores por versões mais saudáveis. Um deles lembrou que a empresa já conta com marcas voltadas à saúde, como SunChips e PopCorners, que juntas geram cerca de US$ 2 bilhões anuais em receita — um valor ainda modesto frente aos US$ 24,7 bilhões em vendas da divisão Frito-Lay América do Norte, que inclui grandes nomes como Doritos, Cheetos e Lay’s.
A PepsiCo também destacou que muitos consumidores estão buscando melhor controle de porções, e é nesse contexto que entram os pacotes menores ou multipacks de snacks.
“O segmento de alimentos em porções reduzidas continuará crescendo”, declarou Laguarta.
“Acredito que essa é uma excelente maneira de nossas marcas estarem presentes em uma alimentação equilibrada.”
