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Alpargatas: UBS BB recomenda compra, prevendo cenário externo mais favorável; ALPA4 avança 3%

Os analistas do UBS BB projetam avanços na eficiência da rede de distribuição nas operações internacionais

O UBS BB revisou sua recomendação para as ações da Alpargatas (ALPA4), passando de neutro para compra, e estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 12 por ação no horizonte de 12 meses. Na sexta-feira (29), os papéis encerraram o pregão cotados a R$ 9,50. Já nesta segunda-feira (1), registraram valorização de 2,95%, chegando a R$ 9,78.

De acordo com o relatório, cinco fatores sustentam a visão positiva em relação à companhia. O primeiro deles é a estratégia de racionalização no mercado brasileiro, que já tem mostrado resultados consistentes. Nesse cenário, as margens de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caminham para superar patamares históricos. As projeções do UBS indicam 22,4% em 2025, 22,7% em 2026 e 23,1% em 2027.

O Investor Day da Alpargatas está marcado para a próxima quinta-feira (4), ocasião em que os analistas esperam que a empresa apresente mais detalhes sobre sua nova estratégia. As estimativas de EBITDA para 2025 a 2027 estão 1%, 8% e 10% acima do consenso de mercado, respectivamente.

O segundo fator destacado é a perspectiva de maior rentabilidade no mercado externo. Esse avanço vem após o fechamento do acordo de distribuição nos Estados Unidos, considerado um marco relevante para a operação. Com isso, os analistas projetam que a margem de EBITDA internacional evolua de 1,4% para 6,8% em 2025, alcançando 10,2% nos anos de 2026 e 2027.

O relatório ressalta que a companhia já realizou um turnaround consistente no Brasil, e agora há um plano claro para ganhos no mercado externo. Segundo o UBS, a parceria com a Eastman, anunciada em junho, deve fortalecer a estrutura de distribuição da Alpargatas nos Estados Unidos. A projeção é reverter um impacto negativo estimado em R$ 80 milhões em 2024, transformando-o em um resultado positivo a partir de 2026.

No caso da Europa, a visão também é mais otimista, com crescimento de vendas em dois dígitos em junho e maior adesão dos consumidores à marca Havaianas em países estratégicos da União Europeia. Com essa perspectiva, o UBS revisou para cima suas projeções de EBITDA ajustado, elevando os números para 2025, 2026 e 2027 em +2%, +5% e +5%, respectivamente, o que representa R$ 770 milhões, R$ 905 milhões e R$ 1,0 bilhão.

Potencial de valorização da Rothy’s
Entre os fatores que sustentam a recomendação do UBS estão os dividendos mais atrativos, especialmente após a proposta de redução de capital da Alpargatas, além de uma tendência positiva no fluxo de caixa livre. Entretanto, um ponto de destaque fica com a Rothy’s, que traz uma opcionalidade relevante de criação de valor.

A Alpargatas detém 49% de participação na Rothy’s, adquirida em 2022 por US$ 475 milhões. Apesar disso, a contribuição da companhia ainda é limitada, representando cerca de 5% das projeções de lucro, após ter sofrido uma redução de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre de 2023.

O relatório ressalta que, mesmo assim, a empresa apresenta uma posição de caixa líquido de US$ 160 milhões e já mostra indícios de melhora operacional, mesmo diante do impacto das tarifas. Dessa forma, o valor potencial pode ser destravado tanto pelo reconhecimento de mercado quanto por alternativas estratégicas, como uma eventual venda, após o vencimento da opção de compra da Alpargatas em dezembro de 2025.

Preço-alvo revisado
Segundo avaliação do UBS BB, os papéis da Alpargatas estão sendo negociados atualmente a um múltiplo de 11 vezes o preço/lucro (P/L) projetado para 2026, com expectativa de dividend yield de 14%.

O relatório aponta que, caso o múltiplo avance para 12x P/L, isso refletiria que o mercado estaria precificando um lucro por ação cerca de 18% inferior à estimativa do banco para os próximos 12 meses. Na prática, esse movimento significaria que os investidores estariam considerando um EBITDA de 16% a 17% abaixo das projeções do UBS para 2026 e 2027.

Apesar desse cenário conservador, a instituição reiterou o preço-alvo de R$ 12 por ação, fundamentado em um múltiplo de 12x P/L e em um modelo de fluxo de caixa descontado (DCF), que leva em conta a geração de caixa futura da empresa ajustada a valor presente.

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