Trump ameaça impor sanções a nações que compram petróleo da Rússia; Brasil, um dos principais importadores de diesel, pode ser afetado

Presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar sanções comerciais contra países que continuam importando petróleo da Rússia. As declarações foram dadas nesta terça-feira (5), durante um evento realizado na Casa Branca.
Trump mencionou que terá uma reunião com representantes russos nesta quarta-feira (6) para tratar de um possível cessar-fogo no conflito com a Ucrânia, já que o prazo estabelecido por ele para o fim das hostilidades está se esgotando.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de tarifas adicionais a nações que compram petróleo russo, o ex-presidente afirmou que “nunca falou em uma porcentagem específica”, mas sinalizou que a taxa poderá chegar perto de 100%.
“Vamos decidir sobre sanções a países que adquirem energia da Rússia após a reunião de amanhã (quarta-feira) com autoridades russas”, declarou Trump.
Embora o presidente norte-americano não tenha mencionado o Brasil diretamente, o país figura entre os principais compradores de diesel russo.
No primeiro semestre, 39,1% do volume de diesel importado pelo Brasil teve origem na Rússia, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 32,8%, de acordo com dados da consultoria StoneX baseados em informações oficiais do governo.
Em entrevista recente ao Estadão/Broadcast, o presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, comentou que distribuidoras no Brasil poderiam buscar priorizar a aquisição de derivados de petróleo de outras origens, como os Estados Unidos.
Ainda assim, segundo ele, a dependência dos combustíveis russos continuaria sendo uma realidade.
“Caso o cenário avance a ponto de o Brasil ser penalizado por manter relações comerciais com a Rússia, o país ainda assim deverá seguir importando combustíveis russos. Os derivados produzidos nas refinarias da Rússia são essenciais para suprir a demanda global. Não é tão simples retirá-los do mercado e encontrar fornecedores alternativos com a mesma capacidade de fornecimento”, explicou Araújo.
