Simulação revela que, com o novo pico histórico do Bitcoin, um aporte de R$ 10 mil feito há 10 anos teria transformado o investidor em milionário.

O Bitcoin bateu um novo recorde histórico na madrugada desta segunda-feira (14), alcançando a marca de US$ 123.091,61, conforme dados do Coin Market Cap. O avanço ocorre em meio à Crypto Week, mesmo com o aumento da aversão ao risco provocado pelo anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de tarifas de 30% sobre importações do México e da União Europeia.
O otimismo entre investidores também é alimentado pelas discussões no Congresso americano sobre três projetos cruciais para o mercado de criptoativos: a Lei GENIUS, voltada à regulação e supervisão de stablecoins; a Lei Clarity, que delimita atribuições entre os órgãos reguladores; e a Lei Anti-CBDC Surveillance, que visa impedir a criação de um dólar digital.
Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, avalia que o Bitcoin deve encontrar estabilidade na faixa entre US$ 120 mil e US$ 130 mil, impulsionado por um “forte momentum de alta”. Já Andre Franco, CEO da Boost Research, aponta que “a expectativa de curto prazo é positiva” e que os desdobramentos da Crypto Week — com tendência de resultados favoráveis — devem influenciar o comportamento do mercado, especialmente se houver novos anúncios relacionados às tarifas comerciais.
A quantia final seria menor devido à cobrança de impostos e taxas sobre a operação. Segundo a Vault Capital, ao considerar a alíquota de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital e eventuais custos de corretagem e liquidação, o valor líquido resgatado cairia para aproximadamente R$ 6,417 milhões, mesmo com o investimento inicial tendo alcançado um valor bruto superior a R$ 7,7 milhões.
Isso mostra que, apesar dos tributos e encargos, o retorno de longo prazo com o Bitcoin teria sido extremamente significativo.
Igor Carneiro, CEO da Vault Capital, esclarece que o cálculo leva em conta um investimento realizado por meio de uma exchange internacional, com uma taxa de negociação de 0,10% aplicada sobre o montante transacionado. Após a venda dos ativos, o valor líquido precisa ser transferido para uma conta bancária no Brasil, o que implica obrigatoriamente na declaração ao Imposto de Renda no ano seguinte.
Com a aplicação de uma alíquota de 17,5% sobre os ganhos de capital, a operação resultaria em uma DARF no valor de aproximadamente R$ 1,36 milhão. Após o recolhimento do imposto, o investidor teria um montante líquido de R$ 6.417.667,51 — o que representa uma valorização de 641 vezes sobre o aporte inicial de R$ 10 mil.
Igor Carneiro ressalta, no entanto, que o ideal seria vender os ativos de forma gradual, a fim de evitar movimentações abruptas no mercado. “A liquidação total de uma quantia tão expressiva poderia acionar bots de rastreamento, indicando a entrada de grandes volumes em corretoras, o que tenderia a provocar uma queda momentânea nos preços”, explica.
Ele acrescenta que a venda dos fragmentos de Bitcoin deve ser feita por meio de ordens pequenas e bem planejadas, com valores máximos definidos para cada transação. Isso ajuda a evitar oscilações no mercado e garante que a liquidação ocorra de forma mais eficiente, sem pressionar negativamente o preço do ativo.
