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Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos do Brasil e cita Bolsonaro ao criticar desequilíbrio nas relações comerciais.

Presidente dos EUA anuncia tarifa de 50% contra o Brasil em resposta ao julgamento de Bolsonaro e ao desequilíbrio na balança comercial.

O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (9) que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, em resposta parcial à acusação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump justificou a medida como uma reação à “relação comercial extremamente desigual” entre os dois países. Segundo ele, a alíquota — que sobe dos 10% impostos em abril — reflete a falta de reciprocidade nas trocas comerciais com o Brasil.

Trump também afirmou que as práticas comerciais brasileiras têm gerado “déficits insustentáveis” para os EUA, com impactos negativos tanto para a economia quanto para a segurança nacional.

Contudo, dados do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos apontam que, em 2024, o país registrou um superávit de US$ 7,4 bilhões na balança comercial de bens com o Brasil — o que contraria a justificativa de déficits apresentada pelo presidente Trump.

O Brasil figura entre os 20 principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. Entre os outros sete países citados nos anúncios de Trump nesta quarta-feira, apenas as Filipinas — com exportações de aproximadamente US$ 14,1 bilhões para os EUA em 2024 — estão entre os 50 maiores parceiros comerciais americanos.

A carta enviada por Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva extrapola o campo econômico, ao utilizar a imposição de uma nova tarifa de importação como forma explícita de retaliação por acontecimentos da política interna brasileira, incluindo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trump já havia comentado anteriormente sobre o Brasil, manifestando preocupação com o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado declarado, atualmente julgado por suposto envolvimento em uma tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.

Na carta divulgada por meio da rede Truth Social, Trump classificou a situação como “uma vergonha internacional”.

O presidente americano também informou que os Estados Unidos iniciarão uma investigação sobre possíveis práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil, conforme detalhado na correspondência enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A apuração fundamenta-se nas “ações contínuas do Brasil contra as atividades comerciais digitais de empresas americanas”, conforme afirmou Trump na carta, divulgada publicamente em uma publicação na Truth Social.

Além disso, a correspondência dirigida ao Brasil serve como um alerta ao grupo dos BRICS, formado por países em desenvolvimento, que Trump tem identificado como uma ameaça ao domínio do dólar americano como moeda global.

Impacto imediato
O anúncio provocou reação instantânea nos mercados futuros brasileiros: o Ibovespa futuro com vencimento em agosto de 2025 (INDQ25) recuava 2,23%, atingindo 138.085 pontos, enquanto o dólar futuro para o mesmo período subia 1,76%, chegando a R$ 5,58, por volta das 17h40 (horário de Brasília).

O índice à vista havia fechado em queda de 1,3%, enquanto o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta com alta de 1,06%, a R$ 5,50.

Leia a íntegra da carta:

Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (como foi ilustrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que emitiu centenas de ordens secretas e ilegais de censura às plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com milhões de dólares em multas e expulsão do mercado brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos uma tarifa de 50% sobre qualquer produto brasileiro enviado aos Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas à tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil, e concluímos que precisamos nos afastar dessa relação antiga e muito injusta, marcada por políticas e barreiras tarifárias e não-tarifárias do Brasil. Nossa relação tem sido, infelizmente, muito pouco recíproca.

Peço que compreenda que a tarifa de 50% é muito menor do que o necessário para equilibrar o campo de jogo com o seu país. E é necessário adotar essa medida para corrigir as graves injustiças do regime atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se empresas brasileiras, ou que operem no Brasil, decidirem construir ou fabricar seus produtos dentro dos Estados Unidos. E, de fato, faremos tudo o possível para aprovar isso de forma rápida, profissional e rotineira — ou seja, em questão de semanas.

Se por algum motivo o senhor decidir aumentar suas tarifas, então qualquer que seja o número que escolher aumentá-las, será acrescentado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não-tarifárias do Brasil, causando déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, por causa dos contínuos ataques do Brasil às atividades comerciais digitais das empresas americanas, bem como de outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação de Seção 301 contra o Brasil.

Se o senhor quiser abrir seus mercados comerciais, até então fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas políticas tarifárias e não-tarifárias e barreiras comerciais, nós talvez consideremos um ajuste desta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com seu país. O senhor nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.

Obrigado por sua atenção a este assunto!”

Cartas tarifárias

Nesta quarta-feira, Trump também anunciou que aplicaria uma tarifa de 30% sobre produtos da Argélia, Líbia, Iraque e Sri Lanka, com alíquotas de 25% para produtos de Brunei e Moldávia, e uma tarifa de 20% sobre mercadorias das Filipinas.

As tarifas estavam em grande parte alinhadas com as taxas que Trump havia anunciado inicialmente em abril, embora as alíquotas para o Iraque tenham sido reduzidas de 39% e para o Sri Lanka de 44%.

Trump começou a notificar os parceiros comerciais sobre as novas tarifas na segunda-feira, antes do prazo desta semana para que os países concluíssem as negociações com sua administração — e publicou nas redes sociais que planejava divulgar “no mínimo 7” cartas na manhã de quarta-feira, com tarifas adicionais a serem anunciadas à tarde.

Questionado sobre qual fórmula estava usando para determinar a alíquota adequada para os parceiros comerciais, Trump disse a repórteres em um evento na Casa Branca na quarta-feira que a decisão era “baseada no bom senso, nos déficits, em como temos estado ao longo dos anos e nos números brutos.”

“São baseadas em fatos muito, muito substanciais, e também na história passada”, afirmou.

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