Principais índices de Wall Street encerram pregão sem direção única, com investidores atentos à política tarifária de Trump
Ibovespa acumula segunda queda consecutiva, acompanhando cautela nos mercados globais
O Ibovespa registrou sua segunda sessão seguida de baixa, encerrando esta terça-feira com recuo de 0,13%, aos 139.302,85 pontos — queda de 186,85 pontos. O dólar comercial também cedeu 0,59%, cotado a R$ 5,445, enquanto os juros futuros (DIs) encerraram o dia com comportamento misto.
Cenário internacional incerto impacta mercados
A Bolsa brasileira acompanhou o clima de incerteza vindo de Nova York, onde os principais índices fecharam sem direção definida. O sentimento predominante entre investidores é de cautela, impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reafirmou a entrada em vigor de novas tarifas comerciais a partir de 1º de agosto.
“Se você analisar os detalhes, nem sei se alguém entende a diferença entre o que foi anunciado hoje, o que havia antes, se realmente será implementado e quais empresas realmente impactarão”, afirmou Adam Parker, CEO da Trivariate Research, à CNBC.
Segundo Raphael Figueredo, estrategista da XP, o mercado voltou a monitorar atentamente as declarações de Trump, com foco nas tarifas sobre produtos vindos da Ásia e da África do Sul. “O presidente dos EUA ainda sinaliza abertura para negociações. O dólar é quem dita o termômetro do apetite ao risco global”, comentou.
A ONU alertou que a postergação da guerra comercial amplia a instabilidade internacional. No plano geopolítico, o presidente Lula reforçou que o bloco dos Brics não aceitará interferências externas.
Na Europa, a prorrogação das tarifas animou os mercados, contribuindo para a alta das bolsas e do petróleo. Outro destaque foi o anúncio oficial de que a Bulgária passará a integrar a zona do euro em 1º de janeiro de 2026 — prazo já confirmado.
Autoridades brasileiras se manifestam
No cenário doméstico, o foco esteve nas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Galípolo destacou a importância de aprimorar a comunicação da autoridade monetária com a sociedade como ferramenta para potencializar os efeitos da política econômica. “É nossa obrigação modular o discurso e alcançar uma camada mais ampla da população por meio da informação, desobstruindo os canais de transmissão”, afirmou.
Haddad rebate Trump, fala em acordo bilateral e destaca desafio fiscal interno
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou as recentes declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e confirmou que o Brasil está negociando um acordo bilateral com os norte-americanos. Em pronunciamento, Haddad também abordou temas fiscais e afirmou que será difícil cumprir metas de responsabilidade se cada Poder utilizar suas prerrogativas para ampliar despesas. Apesar da crítica velada, elogiou a atuação do Congresso, dizendo que “quando um não quer, dois não brigam”.
Vale, Petrobras e frigoríficos aliviam perdas do Ibovespa
O desempenho de ações de peso como Vale (VALE3), que subiu 0,35%, e Petrobras (PETR4), com alta de 1,43% impulsionada pela valorização do petróleo, ajudou a conter uma queda maior do Ibovespa. Outros destaques no setor de energia foram PRIO (PRIO3), com avanço de 3,16%, e Brava (BRAV3), que subiu 3,22% após análises mais positivas do mercado.
O setor de frigoríficos também sustentou ganhos relevantes. A BRF (BRFS3) valorizou 1,93% após obter decisão judicial favorável para a realização da AGE que discutirá a fusão com a Marfrig — que, por sua vez, subiu 2,33%. Minerva (BEEF3) liderou os ganhos do setor com expressivos 8,22%.
Varejo e bancos apresentam desempenho morno
No setor bancário, o dia foi de variações modestas: Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,27%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,24%, enquanto Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) avançaram 0,24% e 0,41%, respectivamente.
O varejo operou de forma mista, refletindo os dados fracos das vendas de maio. Magazine Luiza (MGLU3) teve queda de 2,31%, enquanto Lojas Renner (LREN3) subiu discretos 0,10%. Para analistas, o setor ainda navega entre os efeitos dos juros altos e incentivos pontuais ao consumo.
Próximos destaques
A quarta-feira reserva apenas indicadores de menor impacto no Brasil. O foco do mercado estará voltado à divulgação da Ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que trará pistas sobre os próximos passos da política monetária dos EUA.
Apesar do feriado estadual de 9 de Julho em São Paulo, a B3 funcionará normalmente, já que adota fechamento apenas em feriados nacionais. Portanto, os investidores devem manter atenção redobrada.
(Fernando Augusto Lopes)
