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Com a aproximação do dia 9 de julho, medidas tarifárias propostas por Trump levantam dúvidas sobre a continuidade das altas no Ibovespa.

A definição sobre as tarifas será observada de forma atenta pelo mercado na próxima semana e tem potencial para aumentar a aversão ao risco em escala global.

O Ibovespa pode estar próximo de renovar suas máximas, mas no horizonte surgem as incertezas em torno das tarifas propostas por Donald Trump. Até que ponto isso pode impactar o otimismo dos investidores em relação ao mercado brasileiro?

Com o prazo se encerrando em 9 de julho para que países voltem a ser tarifados de maneira diferenciada pelos EUA, o tema tende a dominar a atenção dos mercados na próxima semana — e pode acentuar o clima de cautela global.

Mesmo com os mercados americanos fechados pelo feriado de 4 de julho, os contratos futuros das bolsas dos EUA recuaram nesta sexta-feira, refletindo a tensão nas negociações comerciais, enquanto os principais parceiros dos Estados Unidos pressionam por avanços antes do prazo final.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom nas disputas comerciais após o fechamento dos mercados na quinta-feira, ao ameaçar impor tarifas unilaterais de até 70%, ampliando a tensão com parceiros globais.

A poucos dias do fim do prazo estabelecido, montadoras da União Europeia intensificaram as negociações em busca de um acordo que garanta redução de tarifas, em troca de compromissos com novos investimentos em território americano, segundo informações da Bloomberg News. Paralelamente, um esboço de tratado entre os EUA e a Suíça inclui cláusulas que asseguram isenção tarifária para produtos farmacêuticos, conforme fontes ouvidas pela agência.

Os mercados acionários globais apresentaram uma recuperação significativa após a instabilidade provocada pelas tarifas em abril, sustentados, em grande parte, pela resiliência da economia americana. No entanto, o clima de cautela entre os investidores permanece, diante da continuidade das tensões comerciais, que seguem lançando incertezas sobre os rumos da inflação e o desempenho corporativo.

“Existe certa hesitação no ar, especialmente após os recentes picos do mercado”, observou Neil Wilson, estrategista da Saxo UK. “Hoje é um bom momento para reduzir exposição ao risco, embora eu não veja uma mudança estrutural nos fundamentos.”

Para Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, a eventual retomada das tarifas pode desencadear uma onda de aversão a ativos de risco em escala global.

“Certamente, uma reintrodução das tarifas no dia 9 resultaria em realização de lucros nas bolsas americanas. E, com os EUA em queda, as demais bolsas — da Europa, Ásia e mercados emergentes — tenderiam a acompanhar o movimento”, destaca.

Segundo o economista Thiago Calestine, esse tipo de cenário tende a reduzir a visibilidade de médio e longo prazo, o que naturalmente desagrada o investidor. “Em momentos de incerteza, o investidor prefere liquidar posições em ativos de risco e migrar para a renda fixa”, explica. “Os ativos brasileiros seriam impactados, mas muito mais em reflexo das movimentações das bolsas globais.”

Calestine relembra ainda que no chamado “Liberation Day”, em 2 de abril, os mercados reagiram negativamente após o anúncio inicial das tarifas por Trump. Poucos dias depois, em 9 de abril, o presidente norte-americano ofereceu uma trégua de três meses para negociações bilaterais, o que aliviou o mercado temporariamente, mas manteve a apreensão quanto ao desfecho final.

Quase noventa dias depois, Calestine acredita que um novo impacto poderá ocorrer — embora menos intenso. “Diferente de abril, agora o mercado já precificou boa parte do risco. Há uma percepção de que os desdobramentos do dia 9 já estão no radar dos investidores”, conclui.

Como fator favorável aos ativos brasileiros, é importante destacar que o Brasil foi percebido como um dos “beneficiados” no cenário pós-Liberation Day, antes da suspensão das tarifas anunciada por Trump em 9 de abril. Isso se deve ao fato de que, enquanto produtos brasileiros foram taxados com uma alíquota de 10%, países asiáticos enfrentaram tarifas muito mais elevadas — entre 25% e 49%. Assim, a tarifa-base de 10% aplicada ao Brasil foi interpretada, em termos relativos, como positiva.

Essa leitura contribuiu para a estabilidade do Ibovespa nas sessões que se seguiram ao Liberation Day e para uma forte alta de 2,26% no próprio dia 9 de abril, data em que Trump suspendeu temporariamente as tarifas. Nos meses subsequentes, a entrada consistente de capital estrangeiro na B3 ajudou a impulsionar o índice, que rompeu novos recordes e superou os 141 mil pontos — com expectativas ainda otimistas no horizonte.

Dólar mais fraco
No câmbio, Thiago Calestine projeta que o dólar pode continuar a trajetória de enfraquecimento, especialmente após atingir a mínima em mais de um ano na véspera, sendo cotado a R$ 5,40.

“Quanto mais tarifas forem impostas ou mais mudanças na política fiscal o presidente Trump implementar, maior será a indicação de que a moeda americana, o país e seu mercado perderam a previsibilidade de médio e longo prazo”, analisa o especialista. Esse cenário pode levar investidores a buscar ativos menos dependentes do dólar para reduzir riscos.

Nesse contexto, o enfraquecimento do dólar pode beneficiar o Brasil, especialmente por sua condição de agroexportador, tornando suas exportações mais competitivas globalmente. Isso pode resultar em aumento da receita das empresas brasileiras, especialmente as listadas na Bolsa, impulsionando o mercado acionário.

(Fonte: Bloomberg)

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