Principais índices em Wall Street avançam em meio a tensões geopolíticas e recuo generalizado nos preços do petróleo
Ibovespa retoma fôlego e fecha em alta, impulsionado por alívio nos juros e trégua geopolítica
Após quatro sessões consecutivas de perdas, o Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (23) em território positivo, com avanço de 0,45%, aos 137.164,61 pontos — um acréscimo de 614,11 pontos. Durante o dia, o índice chegou a superar brevemente a marca dos 138 mil pontos.
O dólar comercial também teve leve valorização, subindo 0,29% e sendo cotado a R$ 5,519, revertendo a queda da véspera. Já os contratos de juros futuros (DIs) encerraram o dia em queda em toda a curva, refletindo o novo cenário de política monetária.
Selic chega ao fim do ciclo de alta
Entre os fatores que trouxeram ânimo ao mercado, está a ata do Copom divulgada nesta manhã. O documento reforça a decisão da semana passada, quando o Comitê elevou a Selic para 15% ao ano e sinalizou, de forma enfática, que a taxa deverá permanecer nesse nível por um período prolongado — com eventuais cortes previstos apenas para 2026.
A análise da XP destaca que o Banco Central reconhece sinais de desaceleração econômica e moderação da inflação, embora ainda acima da meta. “A Ata indica que o BC avalia que sua estratégia de elevação rápida e firme dos juros está surtindo efeito, sendo hora de observar os impactos das medidas já implementadas”, afirma o relatório da corretora.
Ainda assim, o BC mencionou que discussões recentes sobre mudanças fiscais e revisão de incentivos tributários podem influenciar as expectativas sobre o comportamento futuro da taxa de juros.
Trégua no Oriente Médio contribui com queda do petróleo
No cenário externo, os mercados reagiram positivamente ao anúncio de um cessar-fogo entre Irã e Israel, feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump — apesar de o acordo ainda carecer de confirmação prática pelas partes envolvidas. A percepção de alívio nas tensões geopolíticas impulsionou nova queda dos preços do petróleo: o barril do Brent recuou cerca de 6% nesta sessão, após já ter caído 7% no pregão anterior.
O recuo da commodity favorece ativos de risco e ajuda a aliviar preocupações com pressões inflacionárias globais.
Clima de otimismo contagia mercados, apesar de sinal cauteloso do Fed
O dia terminou com um tom positivo nos mercados globais, com os principais índices de Nova York encerrando em alta expressiva, superando até mesmo os ganhos da sessão anterior. Na Europa, o sentimento também foi de alívio, refletindo o entusiasmo com uma possível resolução do conflito no Oriente Médio.
Federal Reserve adota cautela e não antecipa cortes
Antes do clima mais leve prevalecer, o foco dos investidores esteve sobre Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que participou da tradicional audiência semestral no Congresso dos Estados Unidos. Em seu discurso, Powell reforçou a postura firme contra a inflação, sugerindo que ainda não é o momento para cortes na taxa de juros.
“Não vejo urgência”, afirmou, ao ser questionado sobre o início de um ciclo de afrouxamento monetário, citando a incerteza quanto aos efeitos das tarifas comerciais impostas recentemente.
Fora do palco institucional, o ex-presidente Donald Trump reagiu às declarações com críticas contundentes, voltando a pressionar por redução nas taxas. Powell, por sua vez, enfatizou que ainda é cedo para avaliar os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio, sinalizando que o cenário segue desafiador.
As declarações reduziram a probabilidade de um corte nos juros já em julho, ao mesmo tempo em que o índice de confiança do consumidor norte-americano, referente a junho, registrou queda.
Bancos e varejo ajudam Ibovespa a sustentar alta
No cenário doméstico, o Ibovespa foi impulsionado pelo bom desempenho dos setores bancário e de varejo. A XP Investimentos destacou o crescente interesse por empresas expostas à economia local, que podem se beneficiar de uma possível redução futura na taxa Selic. Entre os destaques do dia estiveram Marcopolo (POMO4), com leve recuo de 0,13%, e Randoncorp (RAPT4), que avançou 0,23%, ambas movimentadas pela discussão sobre risco e retorno no ambiente de juros elevados.
Setor financeiro lidera alta do Ibovespa após sinalização de fim no ciclo de aperto monetário
As ações do setor bancário se destacaram positivamente na sessão desta terça-feira (18), refletindo o otimismo após a divulgação da Ata do Copom, que confirmou a interrupção no ciclo de alta da taxa Selic. Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) avançaram 1,66%, enquanto Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) registraram ganhos de 0,30% e 1,89%, respectivamente. Santander (SANB11) também teve um desempenho expressivo, subindo 1,82%. A B3 (B3SA3), que atua como facilitadora do setor financeiro, acompanhou o movimento e valorizou 1,36%.
Varejo responde bem à leitura positiva da política monetária
O segmento de varejo também teve uma sessão favorável, impulsionado pela percepção de que o aperto monetário começa a surtir efeito no controle da inflação. Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos com alta de 2,13%, seguida por Lojas Renner (LREN3), com 1,47%, e Assaí (ASAI3), que avançou 1,67%.
Commodities pressionam: Vale e petroleiras em queda
Apesar do bom desempenho em outros setores, as ações ligadas às commodities enfrentaram dificuldades. A Vale (VALE3) oscilou ao longo do dia e encerrou com leve recuo de 0,02%. Já as petroleiras foram impactadas pela nova desvalorização do petróleo no mercado internacional. Petrobras (PETR4) cedeu 1,97%, enquanto PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3) caíram 3,91% e 6,90%, respectivamente.
Movimentações pontuais: Copel, São Martinho e C&A
A Copel (CPLE6) finalizou o processo de migração para o Novo Mercado, segmento de mais alto padrão de governança da B3, e suas ações subiram 0,40%. Já São Martinho (SMTO3) recuou 2,47%, pressionada pela divulgação de um lucro trimestral com queda superior a 80%. Fora do Ibovespa, a C&A (CEAB3) se destacou com alta de 2,64%, refletindo expectativas positivas quanto a novos modelos de monetização.
Powell volta a falar ao Parlamento, agora no Senado, e atrai atenção dos mercados
Nesta quarta-feira, os holofotes se voltam novamente para Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que dará continuidade ao seu depoimento — desta vez perante o Senado dos Estados Unidos. O mercado acompanha com atenção, na expectativa de possíveis sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
Além disso, indicadores do setor imobiliário americano também serão divulgados e podem trazer elementos adicionais ao cenário macroeconômico. No entanto, o foco principal segue no desenrolar do conflito no Oriente Médio e nas tratativas diplomáticas em curso. O desfecho ainda parece distante — o “filme”, ao que tudo indica, continua.
(Fernando Augusto Lopes)
