Após o reajuste, a taxa Selic atinge o nível mais elevado desde julho de 2006.

Sede do Banco Central
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu nesta quarta-feira (18) um novo aumento da taxa Selic, ajustando-a em 0,25 ponto percentual – de 14,75% para 15% ao ano. A decisão foi unânime entre os diretores da instituição, marcando a sétima elevação consecutiva desde setembro do ano passado.
Nos dias que antecederam a reunião, o mercado financeiro mostrava forte divisão sobre qual caminho o BC adotaria: um novo aumento ou a manutenção da taxa, acompanhada de um tom mais rígido no comunicado oficial. O comitê optou pela elevação, mas sinalizou que a taxa permanecerá no novo patamar por um período prolongado, enquanto avalia os efeitos do aperto monetário mais intenso sobre a economia. Com o novo reajuste, a Selic atinge o nível mais elevado desde julho de 2006.
De acordo com o Copom, caso o cenário projetado se confirme, o Comitê prevê uma pausa no ciclo de elevações da Selic para observar os efeitos acumulados das medidas já implementadas, cujos impactos ainda estão por se manifestar. A partir dessa análise, será avaliado se o atual patamar da taxa básica de juros – mantido por um período suficientemente longo – será capaz de garantir a trajetória da inflação rumo à meta estabelecida.
O cenário externo segue desafiador e marcado por elevada incerteza, especialmente devido à conjuntura e às decisões de política econômica nos Estados Unidos, com destaque para as ações nas áreas comercial e fiscal e seus possíveis impactos. Além disso, a oscilação e o comportamento de diferentes classes de ativos continuam a influenciar as condições financeiras globais, o que demanda uma postura de cautela por parte de economias emergentes, sobretudo diante da intensificação das tensões geopolíticas.
No âmbito interno, os indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda apontam para certo dinamismo, embora já seja perceptível uma desaceleração no ritmo de crescimento. As últimas divulgações de inflação, tanto o índice cheio quanto as medidas subjacentes, permanecem acima do objetivo estabelecido para a meta inflacionária.
As expectativas de inflação coletadas na pesquisa Focus para os anos de 2025 e 2026 seguem superiores ao centro da meta, registrando 5,2% e 4,5%, respectivamente. Já a projeção do próprio Copom para 2026, considerado o horizonte mais relevante para a condução da política monetária, também se mantém acima do nível desejado.
Os riscos associados à trajetória da inflação, tanto no sentido de alta quanto de baixa, permanecem acima do nível considerado habitual. Entre os fatores que podem pressionar a inflação para cima, destacam-se: (i) a possibilidade de uma desancoragem mais duradoura das expectativas inflacionárias; (ii) uma persistência maior do que a prevista na inflação de serviços, devido a um hiato do produto mais favorável; e (iii) a combinação de políticas econômicas, internas e externas, que possa gerar impactos inflacionários superiores ao esperado, como por exemplo, através de uma desvalorização prolongada do câmbio.
Por outro lado, os fatores que podem contribuir para uma desaceleração da inflação incluem: (i) uma possível retração da atividade econômica doméstica mais intensa que a antecipada, o que teria efeito desinflacionário; (ii) uma desaceleração global mais forte, provocada por choques no comércio internacional e por um cenário de maior instabilidade global; e (iii) uma queda mais significativa nos preços das commodities, também com efeito de contenção sobre os índices de preços.
O Comitê segue monitorando de perto os desdobramentos da política fiscal e seus reflexos sobre a política monetária e o comportamento dos ativos financeiros. O ambiente segue caracterizado por expectativas de inflação desancoradas, projeções inflacionárias elevadas, uma economia que mantém certa força e pressões ainda presentes no mercado de trabalho. Diante disso, o Copom decidiu elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 15% ao ano, entendendo que essa medida é adequada para direcionar a inflação de volta para o centro da meta dentro do horizonte considerado relevante. Além de garantir a estabilidade de preços, essa decisão também visa suavizar as oscilações da atividade econômica e promover o pleno emprego.
Caso o cenário projetado se confirme, o Comitê sinaliza uma pausa no atual ciclo de elevação da taxa básica de juros, com o objetivo de analisar os efeitos cumulativos das medidas já implementadas, cujos impactos ainda estão em processo de materialização. Somente após essa avaliação o colegiado decidirá se o nível atual da Selic, mantido por um período suficientemente longo, será capaz de garantir a convergência da inflação para o centro da meta estabelecida.
O Comitê reforça que continuará atento à evolução dos indicadores econômicos e que futuros ajustes na política monetária poderão ser realizados, caso sejam necessários. O colegiado também afirma que, se considerar apropriado, não hesitará em retomar o processo de aperto monetário.
A decisão contou com o voto favorável de todos os membros presentes: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
