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Ibovespa fecha em queda puxada por Vale, Usiminas e cenário internacional

Wall Street recua à espera do Fed e sob tensão por conflitos entre Israel e Irã

Ibovespa fecha em baixa com pressão de Vale, Usiminas e cenário externo

O clima positivo no mercado financeiro durou pouco. Após o forte avanço registrado na sessão anterior, o Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (17) com queda de 0,30%, aos 138.840,02 pontos, acumulando uma perda de 415,89 pontos. O dólar comercial também mudou de direção e subiu 0,23%, encerrando o dia cotado a R$ 5,498. Os contratos de juros futuros (DIs) fecharam com alta ao longo de toda a curva.

Conflito entre Irã e Israel pesa nos mercados

Os investidores passaram a enxergar o conflito entre Irã e Israel como uma situação de maior complexidade do que apenas a questão de um possível alastramento regional. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuíram para o aumento da tensão, principalmente após ele afirmar que o país não pretende eliminar o líder supremo iraniano “pelo menos por enquanto”, declaração vista como uma ameaça velada. Trump ainda exigiu uma “rendição total” por parte do Irã. Paralelamente, os EUA enviaram aviões de combate para a região do Oriente Médio.

O impacto foi imediato: as bolsas europeias e americanas encerraram em queda, enquanto o preço internacional do petróleo disparou mais de 4%. As preocupações aumentam com o risco de agravamento das tensões no Estreito de Hormuz — um dos principais corredores mundiais de transporte de petróleo, sob controle iraniano.

Expectativas sobre o Fed

Esses acontecimentos ocorrem justamente na véspera da decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, sobre a taxa básica de juros. A expectativa majoritária do mercado é de manutenção das taxas na reunião desta quarta-feira (18).

Além do cenário geopolítico, os dados econômicos também movimentaram os investidores. As vendas no varejo norte-americano tiveram uma retração significativa em maio, bem acima do que os analistas previam, o que reforçou as apostas de um possível corte de juros pelo Fed já em setembro.

De acordo com Andressa Durão, economista do ASA Investments, o desempenho fraco do varejo indica um ritmo moderado de consumo no segundo trimestre. Porém, ela ressalta que a atividade econômica dos EUA ainda não apresenta sinais claros de deterioração acentuada, com o consumo básico permanecendo firme. No entanto, outro dado preocupante divulgado hoje foi a queda na produção industrial americana em maio, acendendo um novo sinal de alerta sobre a economia do país.

Congresso envia sinal forte ao Planalto

Para o Ibovespa, o cenário ficou ainda mais desafiador ao somar as pressões internas. Na segunda-feira, o governo federal sofreu uma derrota expressiva no Congresso Nacional.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a aprovação do regime de urgência para um projeto que revoga o decreto de aumento do IOF como um “recado da população”.

Com um placar de 346 votos favoráveis e 97 contrários – bem acima dos 257 necessários –, a proposta ganhou fôlego para ir direto ao plenário. “Foram 346 votos. Um recado direto da sociedade – a Câmara apenas transmitiu esse sentimento: o país não suporta mais aumento de impostos”, publicou Motta nas redes sociais.

Enquanto isso, o presidente Lula participa do encontro do G7 no Canadá, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está em período de licença. O governo ficou praticamente sem articulação política em Brasília. Nem mesmo Rui Costa, titular da Casa Civil, estava na capital federal.

Há especulações sobre os motivos dessa resposta dura do Congresso. Segundo reportagem do portal UOL, até o dia 15 de junho, o governo empenhou apenas R$ 508 milhões em emendas parlamentares — o menor valor desde 2021, quando o montante foi de R$ 207 milhões no mesmo período. O Executivo justifica o ritmo mais lento nos repasses pela demora na aprovação do Orçamento, que só foi sancionado em abril.

Desempenho da Vale pesa no Ibovespa; Petrobras tenta equilibrar

Mesmo com o ambiente político conturbado, o Ibovespa conseguiu se manter estável durante parte do dia. Mas o índice perdeu força com a intensificação das quedas nas ações da Vale (VALE3), que recuaram 4,50%, revertendo o ganho expressivo registrado no pregão anterior. A Petrobras tentou amenizar as perdas, mas não foi suficiente para impedir a baixa.

Nem mesmo o avanço expressivo da Petrobras impede recuo do Ibovespa

Apesar da forte valorização das ações da Petrobras (PETR4), que subiram 2,27% impulsionadas pela alta do petróleo no mercado internacional, o Ibovespa não conseguiu fechar o dia no positivo.

A estatal contou com o suporte de outros pesos pesados do mercado financeiro. O Bradesco (BBDC4) teve ganho de 1,50%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,60%. Por outro lado, o Banco do Brasil (BBAS3) fechou com queda de 0,36%. As chamadas “petro juniors” também tiveram desempenho positivo: PRIO (PRIO3) valorizou 1,97%.

A B3 (B3SA3), que oscilou ao longo da sessão, conseguiu encerrar com alta de 0,45%, beneficiada por um relatório da XP que destacou a resiliência da empresa. No setor de energia, a Neoenergia (NEOE3) registrou ganho de 1,17% após notícias sobre uma possível OPA. Já a Embraer (EMBR3) teve leve valorização de 0,16%, com boas perspectivas vindas da Europa.

No entanto, outras ações pressionaram o índice para baixo. Usiminas (USIM5) teve uma queda expressiva de 6,90%, após uma grande instituição financeira rebaixar sua recomendação, citando aumento no custo de produção. BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) também fecharam no vermelho, com recuos de 0,05% e 2,40%, respectivamente, influenciadas pela decisão da CVM de adiar a assembleia que decidiria sobre a fusão entre as duas empresas.

O clima de incerteza continua. Além das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o mercado local segue na expectativa pela decisão do Copom, que será anunciada na quarta-feira (Super Quarta). Não há um consenso entre os analistas: parte espera manutenção da Selic em 14,75%, enquanto outros apostam em um aumento para 15%. O veredito só virá antes do feriado, aumentando a ansiedade dos investidores.

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