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Confronto entre Israel e Irã se agrava e já soma mais de 80 mortos e 380 feridos

O dia foi caracterizado por intensos confrontos entre os dois países, com o Irã lançando cerca de 100 mísseis em resposta aos ataques aéreos promovidos por Israel.

Os embates entre Israel e Irã persistem pela madrugada deste sábado (14) na região. As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) relataram ter neutralizado um “objeto aéreo não identificado” após a emissão de um alerta nas proximidades da cidade de Eilat, no extremo sul do território israelense.

Por volta das 21h (horário de Brasília) de sexta-feira, as autoridades israelenses autorizaram a população a deixar os abrigos. Mais cedo, o Exército havia orientado os moradores a procurar locais seguros diante da expectativa de uma possível retaliação iraniana.

Na capital Teerã, novas explosões foram registradas por volta das 21h40. O Aeroporto de Mehrabad acabou sendo atingido por dois projéteis, segundo informações divulgadas pela agência estatal iraniana.

A sexta-feira, 13, foi marcada por uma escalada de violência entre os dois países, com o lançamento de cerca de 100 mísseis pelo Irã em resposta aos ataques aéreos promovidos por Israel. As autoridades israelenses classificaram a ação como o início da chamada “Operação Leão em Ascensão”. Por sua vez, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, responsabilizou Israel por desencadear o conflito e dar início a uma guerra.

O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda havia tempo para que Teerã suspendesse sua ofensiva de bombardeios e retomasse as negociações a respeito de seu programa nuclear.

No início da noite desta sexta-feira, veículos de comunicação iranianos noticiaram uma série de explosões nos arredores ao norte e ao sul de Teerã, além de Fordow, próximo à cidade sagrada de Qom, onde está localizada uma segunda instalação nuclear que não havia sido atingida na primeira série de ataques.

Sirenes de alerta e sistemas de defesa aérea foram acionados em Teerã, enquanto novas detonações foram ouvidas em Isfahan. O Exército israelense informou que estava mirando pontos estratégicos de lançamento de mísseis e drones no território iraniano, incluindo outra instalação nuclear situada em Isfahan.

Anteriormente, a agência oficial IRNA havia relatado que centenas de mísseis balísticos foram disparados pelo Irã em retaliação aos maiores bombardeios já efetuados por Israel contra o país, incluindo a destruição de parte da instalação nuclear subterrânea de Natanz e a morte de importantes comandantes militares iranianos.

Na tarde de sexta-feira, o Exército de Israel informou que ao menos sete pontos na maior cidade do país foram atingidos por mísseis lançados pelo Irã. A população recebeu orientação para buscar abrigos seguros e permanecer neles até nova comunicação oficial. Embora a maioria dos projéteis tenha sido derrubada pelos sistemas de defesa, alguns conseguiram alcançar áreas urbanas.

Segundo o New York Times, mais de 60 pessoas ficaram feridas, em sua maioria com ferimentos leves. No entanto, alguns casos foram graves, resultando em hospitalizações, e, conforme relatado pelo Times of Israel, uma mulher veio a falecer.

“Um número restrito de edifícios sofreu danos, em alguns casos causados por estilhaços das interceptações”, declarou o porta-voz militar israelense Avichay Adraee em árabe, por meio de uma publicação no X.

Perigo existencial
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva do país visa eliminar uma ameaça existencial representada pelo Irã, fazendo referência ao erro histórico de não impedir o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele afirmou, em pronunciamento televisivo, que a operação continuará pelo tempo que for necessário para neutralizar esse perigo.

“Futuras gerações reconhecerão que a nossa esteve firme, agiu a tempo e assegurou a nossa sobrevivência.”

Trump: “Estávamos cientes de tudo”
Em conversa telefônica com a Reuters, Trump afirmou que não está claro se o programa nuclear do Irã permanece intacto. Ele comentou que as negociações nucleares entre Teerã e os EUA, previstas para domingo, continuam planejadas, embora não tenha certeza sobre sua realização.

“Tentei evitar que o Irã passasse por humilhação e sofrimento. Me esforcei bastante para poupá-los, porque gostaria muito que um acordo tivesse sido firmado”, declarou Trump. “Eles ainda têm a chance de fechar um acordo, não é tarde demais.”

Mais cedo, Trump publicou em sua rede social Truth Social: “O Irã precisa fechar um acordo antes que não reste mais nada a perder”.

Tzachi Hanegbi, assessor de Segurança Nacional de Israel, afirmou que a ação militar isoladamente não eliminaria o programa nuclear iraniano, mas poderia “abrir caminho para um acordo duradouro, liderado pelos Estados Unidos”.

Líderes das principais potências europeias defenderam uma solução diplomática para a crise gerada pelos ataques aéreos israelenses contra o Irã. Representantes do Reino Unido, Alemanha e França apelaram por uma redução das tensões. A Rússia, principal aliada de Teerã, se colocou à disposição para mediar o conflito.

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou a série de bombardeios, segundo informou o Kremlin, após conversas telefônicas separadas com o presidente iraniano Masud Pezeshkian e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Contexto
Os ataques de Israel contra o Irã resultaram na morte de 78 pessoas, entre elas altos comandantes militares, e deixaram mais de 320 feridos, conforme relatou o representante iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, nesta sexta-feira.

Fontes locais afirmam que pelo menos 20 comandantes militares iranianos foram eliminados, uma operação notável que lembra os ataques israelenses do ano passado contra a liderança da milícia Hezbollah, no Líbano. O Irã também declarou que seis de seus principais cientistas nucleares foram assassinados.

Entre os generais mortos estão o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Major-General Mohammad Bagheri, e o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami.

O major-general Mohammad Pakpour, rapidamente promovido para assumir o comando da Guarda Revolucionária após a saída de Salami, garantiu retaliação em uma carta dirigida ao Líder Supremo, transmitida pela televisão estatal: “As portas do inferno se abrirão para o regime que mata crianças”.

No Irã, o clima é de medo e revolta. Muitos correm para trocar dinheiro enquanto outros buscam formas seguras de deixar o país.

“As pessoas na minha rua correram para fora de suas casas em pânico, estávamos todos aterrorizados”, relatou Marziyeh, 39 anos, que foi despertada por uma explosão em Natanz. Enquanto alguns iranianos esperam discretamente que os ataques provoquem mudanças na liderança conservadora do país, outros afirmam seu apoio às autoridades.

“Vou lutar e morrer pelo nosso direito a um programa nuclear. Israel e seus aliados americanos não vão nos tirar isso com esses ataques”, declarou Ali, membro da milícia Basij, pró-governo, na cidade de Qom.

A capacidade do Irã de responder com ataques realizados por seus grupos aliados na região foi bastante enfraquecida no último ano, com a queda do aliado Bashar al-Assad na Síria e a severa redução das forças do Hezbollah no Líbano e do Hamas em Gaza.

Israel afirmou que um míssil lançado do Iêmen — onde a milícia Houthi é um dos últimos grupos alinhados ao Irã ainda capazes de atacar Israel — caiu em Hebron, na Cisjordânia ocupada. O Crescente Vermelho Palestino informou que três crianças ficaram feridas pelos estilhaços no local.

O preço do petróleo subiu diante do receio de uma retaliação mais ampla na importante região produtora, embora não haja relatos de danos à produção ou ao armazenamento. A OPEP afirmou que a escalada atual não justifica alterações imediatas na oferta de petróleo.

Autoridades israelenses disseram que pode levar tempo para avaliar o impacto nos danos à instalação nuclear subterrânea de Natanz, onde o Irã realiza o enriquecimento de urânio a níveis que países ocidentais consideram adequados para armas, não para uso civil.

O Irã mantém que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis. No entanto, o órgão de monitoramento nuclear da ONU concluiu recentemente que o país não está cumprindo suas obrigações segundo o tratado internacional de não proliferação.

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