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Ibovespa avança em sessão marcada por baixa liquidez, com apoio de bancos e Braskem

Com feriado nos Estados Unidos, Bolsa brasileira opera sem referência dos mercados norte-americanos

Ibovespa avança em sessão de fraca liquidez, marcada por feriado nos EUA e volume reduzido de negócios

A semana começou em ritmo lento para os mercados brasileiros. Com o fechamento das bolsas nos Estados Unidos devido ao feriado do Memorial Day, a liquidez foi a mais baixa registrada em um ano. Mesmo assim, o Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (20) com leve alta de 0,23%, aos 138.136,14 pontos — um acréscimo de 311,85 pontos.

No câmbio, o dólar comercial teve valorização de 0,52%, cotado a R$ 5,675. Já os juros futuros (DIs) encerraram a sessão com queda em toda a curva, refletindo a menor atividade no mercado e a ausência de dados relevantes no cenário doméstico.

Com a ausência de referências vindas de Wall Street, os investidores acompanharam os desdobramentos geopolíticos na Europa. Um dos focos foi a conversa entre o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no domingo. O diálogo resultou no adiamento da imposição de novas tarifas dos Estados Unidos contra a União Europeia, o que deu algum fôlego aos mercados europeus, embora o tom geral da sessão tenha permanecido morno.

Haddad responsabiliza Congresso por arcabouço fiscal e recebe críticas da Câmara; Focus projeta PIB maior

O cenário político-econômico brasileiro começou a semana com poucos eventos relevantes, mas com tensões entre o Executivo e o Legislativo. Em participação em um evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (20), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a sustentabilidade do arcabouço fiscal “depende muito mais do Congresso Nacional”, sinalizando que a responsabilidade pelo equilíbrio das contas públicas está, em grande parte, nas mãos do Legislativo.

A fala provocou reação imediata. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, rebateu com dureza: “Quem gasta mais do que arrecada não é vítima, é autor”, afirmou. Motta criticou ainda o comportamento do governo, dizendo que “o Executivo não pode gastar sem freio e depois entregar o volante ao Congresso para conter os danos”.

Ainda durante sua fala, Haddad reforçou que o governo está empenhado em “virar a página” do déficit primário estrutural do país, reafirmando o compromisso com a responsabilidade fiscal.

No campo econômico, os dados divulgados nesta segunda também trouxeram algum alívio. O Brasil registrou em abril um déficit em conta corrente inferior ao previsto pelo mercado. Além disso, o Boletim Focus trouxe revisões positivas: as projeções para o PIB foram elevadas, enquanto a expectativa para a cotação do dólar em 2025 voltou a cair.

Ainda que o mercado tenha operado em ritmo lento, alguns ativos conseguiram se destacar

Apesar da apatia generalizada e da presença reduzida de investidores no pregão desta segunda-feira (20), o cenário não foi totalmente estagnado. Em um ambiente de baixa liquidez e poucas referências externas, o mercado acionário brasileiro encontrou espaço para leves avanços, sustentados por setores pontuais que mostraram desempenho positivo ao longo do dia.

Bancos sustentam Ibovespa em dia de fraca liquidez; Braskem e Azul lideram altas

Mesmo com o baixo volume de negócios e a ausência de referência internacional devido ao feriado nos Estados Unidos, a Bolsa brasileira conseguiu registrar ganhos pontuais nesta segunda-feira (20), com destaque para ações de bancos e algumas companhias específicas.

O setor bancário contribuiu para sustentar o Ibovespa, embora sem grandes surpresas. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 1,02%, seguidas por Santander (SANB11), que avançou 0,90%. Bradesco (BBDC4) oscilou durante o pregão, mas encerrou com alta de 0,51%. O Itaú Unibanco (ITUB4) teve desempenho mais modesto, com leve alta de 0,21%.

Na ponta oposta, papéis ligados a commodities recuaram. As ações da Vale (VALE3) caíram 0,57%, enquanto Petrobras (PETR4) teve queda de 0,32%, acompanhando o movimento de baixa nos preços internacionais do petróleo. A estatal também indicou possíveis novos cortes nos preços dos combustíveis, conforme declarou a presidente da companhia, Magda Chambriard: “Se cair mais o preço do petróleo, por certo vamos reduzir o preço dos combustíveis. Eu não estou falando só da gasolina, não”.

O setor de proteínas continuou pressionado pelos efeitos da gripe aviária, apesar da melhora gradual nas perspectivas de exportação. Minerva (BEEF3) caiu 2,51%, BRF (BRFS3) recuou 0,51% e Marfrig (MRFG3) contrariou o movimento, avançando 1,09%. Já JBS (JBSS3) teve queda expressiva de 3,63%, impactada pelas incertezas em torno da possível dupla listagem nos Estados Unidos.

Entre os destaques positivos da sessão, Braskem (BRKM5) disparou 4,15%, impulsionada pela confirmação de uma oferta por parte do empresário Nelson Tanure, via Novonor. Azul (AZUL4) também teve desempenho forte, com alta de 4,81%, mesmo após um banco reduzir a recomendação para o papel. Na contramão, Zamp (ZAMP3) recuou 6,96%, devolvendo parte dos ganhos da última sexta-feira, quando o mercado reagiu à possibilidade de fechamento de capital da companhia.

Com o retorno dos mercados norte-americanos nesta terça-feira (21) e a divulgação do IPCA-15 de maio no radar, os investidores devem redobrar a atenção. A expectativa é de maior movimentação e sensibilidade aos dados de inflação — um tema que segue no centro das decisões de política monetária.

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