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Rússia volta a importar frango do Brasil, mas mantém restrições ao Rio Grande do Sul

Além da Rússia, países como Belarus, Armênia e Quirguistão também anunciaram a adoção da regionalização nas restrições à importação de carne de frango do Brasil. Com isso, o embargo passa a valer apenas para o estado do Rio Grande do Sul, onde foi identificado foco de gripe aviária. Essas nações são as primeiras a flexibilizar os bloqueios desde o início das suspensões impostas por causa da doença.

A Rússia anunciou a reversão parcial da suspensão às importações de carne de frango brasileira. A medida libera a compra de produtos provenientes de granjas localizadas fora do Rio Grande do Sul, estado que segue sob embargo devido à detecção de casos de gripe aviária.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na tarde desta quarta-feira (21), à CNN, que a Rússia autorizou a retomada parcial das importações de carne de frango do Brasil. A decisão, que exclui o estado do Rio Grande do Sul, foi tomada após reuniões técnicas entre autoridades sanitárias dos dois países.

Além da Rússia, Belarus, Armênia e Quirguistão também anunciaram a adoção da regionalização das restrições — medida que limita o embargo apenas à região afetada. Esses foram os primeiros países a flexibilizar os bloqueios impostos após a confirmação de um caso de gripe aviária em uma granja comercial localizada em Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul.

A decisão da Rússia e de outros países de flexibilizarem os embargos às exportações brasileiras de carne de frango foi recebida com otimismo pelo governo federal. Técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ouvidos pela CNN, avaliam que a rápida aceitação do modelo de regionalização, somada à contenção eficaz do foco de gripe aviária, fortalece a posição do Brasil nas tratativas com mercados que ainda mantêm restrições.

Ainda nesta quarta-feira (21), os Emirados Árabes Unidos também anunciaram a adoção de medidas regionalizadas. O país decidiu suspender apenas as importações de carne de frango provenientes do município de Montenegro (RS), onde foi registrado o caso isolado da doença em uma granja comercial.

Resposta rápida do governo reforça confiança no controle sanitário brasileiro

Dentro do governo federal, a avaliação é de que a confirmação do vírus da gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul não pegou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de surpresa. Segundo fontes da pasta, o órgão já se preparava para lidar com esse cenário.

A presença do vírus não é inédita no Brasil — antes da ocorrência em produção comercial, já havia sido registrada em aves silvestres e de subsistência. Globalmente, o vírus vinha se alastrando por diversas regiões, como Ásia, África e Europa. Apenas em 2025, mais de 200 casos foram notificados no continente europeu.

Diante desse contexto, a percepção técnica era de que a chegada da gripe aviária ao setor produtivo brasileiro era uma questão de tempo. A rápida contenção do foco e a implementação imediata de medidas sanitárias fortaleceram a credibilidade do país perante parceiros internacionais.

Governo já adotava medidas preventivas e firmou acordos de regionalização com países estratégicos

A atuação rápida do Ministério da Agricultura e Pecuária diante do caso de gripe aviária em uma granja comercial reflete um esforço preventivo que já vinha sendo adotado desde 2023. O governo federal passou a tratar o tema com prioridade, implementando estratégias para mitigar riscos e preservar a reputação sanitária do país no comércio internacional.

Entre essas ações, destacam-se os acordos de regionalização firmados com mercados relevantes, como Japão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Filipinas. Esses entendimentos permitem que, em caso de ocorrência localizada da doença, apenas a região afetada seja alvo de restrições, evitando a suspensão total das exportações.

O acordo com o Japão, por exemplo, foi assinado em março deste ano e já contribuiu para manter parte das exportações brasileiras ativas mesmo diante do episódio recente no Rio Grande do Sul.

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